…sobre quando eu percebi que está na hora de sair de casa.

Primeiro, flashback 6 meses atrás.

Uma prima que eu não conheço e que eu nunca vi resolve mudar aqui para Goiânia. Ela resolve que quer conhecer a parte goiana da família e começa a ligar aqui em casa toda semana. Até aí sem problema. Eu sempre desconverso, mencionando que devido aos dois empregos eu não tenho tempo de me encontrar com ela. Ela continua ligando numa média de uma vez por semana uns 3 meses seguidos até quando eu acho que ela se tocou que eu não fazia a mínima questão de conhecer ela.

Vamos direto para esse último sábado (14/12/2013), ela mora num conjunto de quitinetes. Ela resolve que é uma boa ideia caçar confusão com a dona das quitinetes. Ela resolve que é uma boa ideia fazer isso na frente das outras mulheres que moram nas ditas quitinetes. Ela resolve que é uma ótima ideia DESCER O SARRAFO na dona. Melhor ainda, ela acha que é uma ótima ideia fazer isso enquanto a outra mulher está com o filho pequeno no braço.

SIM, ESSA FOI UMA EXCELENTE IDEIA! A SEGUNDA MELHOR IDEIA DO ANO!

Enquanto isso, minha tia liga aqui em casa, sabendo só que a filha que ela nunca deu uma santa foda fez algo e a polícia se envolveu. Minha irmã, como uma boa heroína da boa vontade e da justiça se prontifica a ir no lugar ver o que está acontecendo. Claro que sim, não é? É para essas coisas que serve a família. Outra EXCELENTE ideia, digo eu.

Acontece que a polícia se envolveu porque queriam linchar essa prima minha. Minha irmã chega lá sem saber nada e adivinha só, botam ela no mesmo saco. Até aí eu não estou nem surpreso. Com a filhinha querida em perigo, papai e mamãe resolvem se envolver também, afinal de contas família, não é?

(abaixo o que eu acho que aconteceu)

Quando meu pai e minha mãe chegaram, a polícia já tinha conseguido acalmar os ânimos no lugar, deixar pessoal da mudança tirar as tralhas da mulher da quitinete e dar o sumiço com minha prima/irmã do lugar. O namorado da minha prima resolve sumir no mundo também e não atende ligação de ninguém.

(acima o que eu acho que aconteceu)

E agora chegamos à parte onde me toca: a mulher não tem o dinheiro de um hotel, está com todos os móveis dentro de um caminhão e não bastasse isso, diz ter 50 mil problemas de saúde diferentes. Família tá aí é para essas coisas mesmo e os três (mãe/pai/irmã) decidem que ela deve vir aqui para casa…

IDEIA. DO. FUCKING. SÉCULO.

  1. Meu pai é separado da minha mãe. Ele só vem aqui em casa de vez em nunca.
  2. Minha mãe atualmente mora numa chácara perto de Goiânia. Não bastasse isso, ela tem uma criação de rãs nessa chácara (fica para outro post). Ela vem aqui em casa umas três vezes por semana para resolver algo aqui em Goiânia, no máximo.
  3. Minha irmã é crente ativa. Ela sai para o trabalho cedo, sai de lá para a igreja e só volta para tomar banho e dormir no meio de semana.
  4. Eu trabalho à noite, num call center do lado de casa e praticamente fico sozinho em casa o dia inteiro.

Deram alguma coisa para ela quando eles chegaram aqui em casa e a mulher dormiu até a segunda de manhã. Desde então eu venho descobrindo exatamente o que é o inferno.

Alguma das pérolas pela qual passei até hoje (quarta feira) às 17, que foi quando eu vi algum dos outros três familiares abençoados dessa casa. Tenham em mente que essa mulher tem um filho e 36 anos de idade.

  • Júnior vira “juju”
  • A única coisa na geladeira (o meu café da manhã de sempre: pão de forma vagabundo com bolonha/mussarela) não serve de café da manhã para a mulher. Ela vira para mim e simplesmente diz que a gastrite dela ataca se ela não tomar ao menos um copo de Activia de morango todo dia de manhã. E pão tem que ser Pullman, com manteiga de leite.
  • Querer que eu lave toda a louça que minha irmã deixou faz uma semana na pia. Querer que eu faça almoço. (os dois motivos para eu comer em restaurante sempre)
  • “Deixa eu fazer esse interurbano aqui para esse ex-amante meu que me deve 2 milhões de reais,” (eu queria estar inventando)
  • “Liga para esse ex-namorado meu aqui e se for a mulher dele que atender, finge que você é de alguma operadora querendo vender algo de telefone.”
  • Ficar se esfregando em mim, pegando na minha bunda até quando eu estou sentado numa cadeira e falando para os vizinhos que ela vai se casar comigo. Isso é algo que ela faz pelo menos umas cinco vezes por dia.
  • Chamar um táxi enquanto eu estava dormindo para ir em algum lugar que não faço ideia (lembre-se, sem dinheiro).
  • Eu deitado na minha cama, trusty Vita em mãos, ela vir com um vestido da minha irmã curtíssimo e perguntar se está bom. Depois de receber só um “Está”, pular na minha cama e perguntar se eu sou virgem.
  • Achar ruim eu ter levantado NA MESMA HORA que ela fez o acima.
  • Resolve ir no hospital. Esquece a carteira em casa. Acha que roubaram no ônibus. Resolve ficar tonta na rua por conta disso e não consegue parar em pé por conta que “ai meu deus, toda a minha vida estava naquela carteira”. Só tinha a identidade na carteira.
  • Me contar pela centésima vez como ela bateu na outra dona.
  • Contar como ela conhece metade dos supervisores do call center que eu trabalho. Inclusive os das áreas que a minha operadora nem trabalha.
  • Exigir que eu poste uma foto dela comigo no MEU Facebook, para mostrar para todo mundo “como minha prima é linda.”
  • Ficar o dia inteiro no celular, ligando no trabalho do ex dela chamando ele de vagabundo. GRITANDO. De baixo da minha janela.

E eu ainda tenho que aturar nego vir e falar “poxa júnior, é família,” quando eu reclamo. Ah, se fuder meu camarada.

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