Sobre C’etait un Rendez-vous

Voltando a falar de filmes, hoje vou falar sobre meu filme automobilístico favorito: C’etait un Rendez-vous (Era um encontro), um clássico do cinema francês que foi dirigido por Claude Lelouch.

Rendezvou poster

Dito isto, fiquem sabendo que meu moral para falar de cinema francês é o mesmo moral que 99% da população mundial (eu incluso) tem para falar de sistemas de piloto automático para aviões de passageiros de grande porte (787 alguém?).

Anyway, já que cinema francês não é meu forte, pelo menos posso dizer que de velocidade eu entendo (como se precisasse de curso para isso). E isso é justamente o ponto forte de C’etait, um curta que faz TODO amante de velocidade de verdade se apaixonar por ele. O principal motivo disso: sua quase total ausência de QUALQUER OUTRA COISA que não seja… velocidade.

Lelouch teve a idéia de filmar C’etait quando por algum acaso do destino, ele teve de dirigir feito um louco para não chegar atrasado a um encontro. Daí para a idéia tomar vida foi um pulo. Ele possuia alguns metros de filme (o fotográfico) sobrando do seu último filme e ainda não precisava devolver o equipamento de filmagem. E então ele deve ter pensado: “E por que não?”. O resto, meus amigos, é história.

Em agosto (mês que os Parisienses normalmente saem da cidade em férias) de 1976, ele preparou sua Mercedes 450SEL 6.9 (sim, um saloon V8 com quase SETE litros de motor) com uma câmera giroscópica na frente, e às 5 e meia da madrugada, saiu rasgando em meio à uma Paris não tão vazia assim. Veja como ficou bonito o armengue:

Bom para você? Para Lelouch não.

Se você gosta nem que seja um pouquinho de automobilismo, irá concordar comigo que o rugido de um motor é uma das coisas mais importantes num vídeo sobre carros. Aí reside o problema. As Mercedes Classe S (não AMG) são extremamente famosas por seu ronco, que é… NENHUM. Daí Lelouch pensou que seria interessante adicionar mais uma pimenta no material e dublar o áudio de uma Ferrari 275 GTB urrando com todos seus doze cilindros. Só que como fazer isso depois de ter filmado o vídeo? Sim, fazendo o mesmo percurso DE NOVO uma semana depois.

O resultado? Simplesmente o melhor filme automobilístico de todos os tempos, que você vê abaixo:

Espetacular né? Agora, deixe-me citar os motivos de eu achar ele o melhor filme do gênero:

  1. Primeiramente, o mais impressionante de todos é claro. TODO o filme foi feito em somente UM take. E o mais impressionante de tudo é que a câmera usada possuia capacidade para  filmar somente 9 minutos e alguns segundos de vídeo. A versão final de C’etait tem 8 minutos e 40 segundos.
    Para ter idéia, o pessoal da Wired Magazine junto com Jay Leno fizeram uma versão 2.0 tosca do movie que precisou de 3 takes em dias diferentes e 3 câmeras profissionais. O resultado não chegou nem nos pés do filme de Lelouch.
    E sem contar essa versão mais tosca ainda, feita por um playsson filhinho de papai em São Paulo.
  2. Claro, boa parte do charme do filme é atribuído a nada menos que o local onde ele foi filmado: Paris. Tá certo que ele passa a maior parte andando em ruas bem normais, mas dá pra ver alguns cartões postais da cidade, como o Arco do Triunfo, a avenida Champs-Élysées e outros mais.
  3. Trilha sonora. Não, não temos nenhuma música no filme. Somente o ronco do V12 de Maranello.
  4. A ausência de efeitos de câmera para simular uma maior velocidade. Ele está correndo DE VERDADE.
  5. Então temos os 007 e Bullit (só para não citar o lixo de Velozes e Furiosos), famosos por destruir carros em várias cenas. Lelouch fez isso sem arranhar um carro sequer.
  6. Lelouch nunca foi piloto profissional nem usou dublês. Ele mesmo (junto com suas bolas de aço) dirigiu o carro.
  7. A prefeitura de Paris não autorizou que fechassem as ruas para ele poder filmar. Então ele fez sem autorização mesmo, o que o fez ser preso após apresentar o filme pela primeira vez.
  8. O final. C’etait tem um propósito afinal de contas. Salvar o mundo? Prender os bandidos malvados? Clichê. Uma loirinha no ponto, please!

Sure, há quem vá falar que C’etait é chato, afinal de contas são praticamente 9 minutos de vídeo pelo ponto de vista do pára-choque de um carro. Há também quem vai falar sobre o perigo que Lelouch correu ao furar sinais vermelhos, andar na contramão e todas as outras infrações de trânsito que ele cometeu. Lhes digo uma coisa: esqueçam C’etait. Ele não foi feito para vocês.

Mas para os verdadeiros amantes de velocidade (que é para quem recomendo assistir esse curta),  uma das poucas coisas que podemos dizer sobre ele, é que ele irá sempre brilhar como o filme de carros mais impressionante que existe.

Fontes: Dark Roasted Blend || Wikipedia

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3 Comments

  1. Posted 31/12/2009 at 16:16 | Permalink

    Esse playsson aí fez o “filme” em Alphaville (Barueri/Santana do Parnaíba), que de Sampa tem o mesmo de Vinhedo em relação a Campinas. Ou seja: nada, a não ser fazer parte da mesma região metropolitana e terem ruas calmas.

    Não conheço tudo de Alphaville, mas sei que aquela região que o cara passou (da transmissora da Sky/Objetivo) é bem no fundão do canto, e obviamente não tem trânsito nenhum.

    Agora fazer isso em São Paulo mesmo, nem que fosse pelas Marginais (onde a velocidade máxima é 90km/h e são várias pistas) ninguém faz.

    • Posted 05/01/2010 at 23:50 | Permalink

      Comentei no vídeo dele quando vi, falando que nem se comparava ao filme aí. Nego apelou e me chamou pros fights ae hahaha

  2. Posted 08/01/2010 at 13:03 | Permalink

    Hehe. Eu já havia visto esse vídeo no Youtube, mas não imaginava que se tratava de um curta-metragem antigo e já consagrado internacionalmente. Foi me mostrado por um amigo, e ambos adoramos o – agora – filme. Realmente, simples e excepcional.

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